Tuesday, 26 February 2013

Síria diz que está pronta para negociar com oposição armada

MOSCOU - A Síria está pronta para conversar com os rebeldes armados da oposição, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Walid al-Moualem, nesta segunda-feira, na oferta mais clara até agora de negociações com os opositores que lutam para derrubar o presidente Bashar al-Assad.
Mas ao mesmo tempo Moualem disse que a Síria iria continuar sua luta contra o terrorismo, referindo-se ao conflito com rebeldes que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), já matou mais de 70 milpessoas.
A oferta de negociações provocou uma resposta em tom de desdenho do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que começou em Londres uma viagem por nove capitais europeias e árabes.
- Me parece bem difícil entender como, quando se vê os (mísseis) scuds caindo sobre pessoas inocentes de Aleppo, é possível acreditar na noção de que eles estão prontos para um diálogo muito sério - disse Kerry.
Kerry afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, estava avaliando mais medidas para "cumprir nossa obrigação com pessoas inocentes", sem dar detalhes ou dizer se Washington estava reconsiderando armar os rebeldes, uma opção que anteriormente rejeitara.
- Estamos determinados a fazer com que a oposição síria não fique esperando - disse Kerry.
Obama vem evitando cuidadosamente um envolvimento maior dos EUA na Síria, que fica no centro de um volátil Oriente Médio, enquanto retira as tropas do Iraque e do Afeganistão.
Assad e seus inimigos estão em um impasse sangrento depois de quase dois anos de combate, destruição e sofrimento que ameaçam desestabilizar os países vizinhos.
O sírio Moualem disse em Moscou que a Síria está pronta para o diálogo com quem desejasse isso, mesmo com os que têm armas nas mãos.
- Acreditamos que as reformas não acontecerão pelo derramamento de sangue, mas apenas através do diálogo.
Guerra contra o terrorismo
A agência Itar-Tass da Rússia, que divulgou as declarações, não disse se Moualem tinha feito alguma precondição ao diálogo.
"O que está acontecendo na Síria é uma guerra contra o terrorismo", disse ele, segundo a agência. "Vamos aderir fortemente a um curso pacífico e continuar a lutar contra o terrorismo".
Moaz Alkhatib, chefe da Coalizão Nacional Síria, da oposição, disse a repórteres no Cairo que não tinha entrado em contato com Damasco depois da oferta de Moualem.
- Ainda não fizemos contato, e estamos esperando a comunicação com eles - disse.
O governo da Síria e a oposição política sugeriram nas últimas semanas que estão preparados para alguns contatos, amenizando sua rejeição anterior de negociações para resolver um conflito que expulsou quase um milhão de sírios do país e deixou outros milhões desalojados e famintos.