Sunday, 6 January 2013

Assembleia Nacional vota novo presidente neste sábado na Venezuela

CARACAS - A cúpula da Assembleia Nacional da Venezuela será renovada neste sábado, um passo crucial para o futuro do país, uma vez que ficaria a cargo do presidente do Legislativo assumir o mandato de Hugo Chávez caso ele não possa tomar posse no dia 10 de janeiro. O presidente está em Cuba se recuperando de uma quarta cirurgia para retirada de um tumor.
Fontes parlamentares disseram que o cenário mais provável é que Diosdado Cabello, que esteve do lado de Chávez quando anunciou a recorrência de sua doença no mês passado, permaneça no cargo, garantindo uma transição sem maiores surpresas até eventuais novas eleições. Aaliado militar de Chávez com maior perfil no governo, Cabello preside a Assembleia desde o início de 2011.
A Constituição do país estabelece que o chefe do órgão legislativo deve tomar as rédeas da república e convocar eleições diante da incapacidade de um presidente eleito de assumir em 10 de janeiro, um cenário que ganha força à medida que se aproxima a data da posse e Chávez não se recupera.
Isso permitiu que Cabello reforçasse o poder e a liderança que já tinha depois de mais de uma década exercendo diversos cargos públicos, inclusive o de vice-presidente e outros de eleição popular.
- Cabello está movendo suas peças para que tanto a presidência como as duas vice-presidências fiquem em suas mãos e nas de seus aliados - disse uma fonte da Assembleia Nacional, que preferiu o anonimato por não estar autorizada a dar declarações.
Se Chávez enfrentar uma longa convalescença, Cabello atuaria como uma ligação entre sua administração de 14 anos e um possível novo governo.
Antes de viajar para Cuba para ser operado em dezembro, Chávez, no entanto, antecipou que se ficasse impossibilitado de dirigir a “revolução socialista”, seus seguidores deveriam votar no vice-presidente Nicolás Maduro, nomeado por Chávez como seu sucessor antes de partir para Cuba em dezembro.
Maduro recebe apoio de diferentes frentes
Cabello vem apoiando Maduro na ausência de Chávez, a quem disse que visitou frequentemente em Havana, dando sinais de que o governo pode trabalhar unido para seguir as diretrizes deixadas pelo governante.
Embora a Constituição especifique que 10 de janeiro começa o novo período presidencial, líderes do oficialismo insistem que a data não é definitiva, o que daria a Chávez uma margem de tempo para se recuperar e assumir mais tarde. Mas a oposição rejeita essa interpretação.
- No dia 10 de janeiro vence um período e começa outro. Se o chefe de Estado não assume, deve encarregar-se temporariamente o presidente da Assembleia Nacional - disse na quarta-feira o presidente da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo.
No Congresso venezuelano convivem várias forças políticas, a maioria delas marcadas por seu irrestrito apoio ao presidente Chávez, mas com diferentes lideranças.
O vice-presidente controla um significativo grupo de poder no parlamento. Maduro foi presidente do legislativo entre 2005 e 2006, quando foi sucedido pela atual Procuradora Cilia Flores.
A dupla Maduro-Flores dominou o Legislativo por seis anos até o início de 2011, quando Cabello assumiu a presidência, mas continuam tendo forte apoio dos parlamentares.
Atuação da oposição ainda é limitada
Após abandonar o parlamento nas eleições de 2005 por suspeita de fraude, a oposição começou a ganhar espaço em 2010 com muitos obstáculos.
A Assembleia Nacional serviu à oposição para mostrar sua posição em temas de interessa nacional. O grupo, no entanto, não teve acesso às principais comissões para investigar denúncias de corrupção e suas propostas são sempre obstruídas pela maioria oficialista.
A ex-aspirante presidenciável María Corina Machado e os deputados Julio Borges, Alfonso Marquina e Hiram Gaviria são os líderes da oposição, mas suas ações são limitadas dentro do grupo dos oficialistas que dominam quase todas as esferas de poder interno.