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Após o escândalo por um caso de corrupção nas Ilhas Baleares, que afetou seu genro, Iñaki Urdangarin, marido da infanta Cristina, e seu controverso safári para caçar elefantes em Botsuana, uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo jornal espanhol “El Mundo”, marca a abrupta queda de sua imagem em 2012.- Escândalo de desvio de verba racha família real espanhola
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Apenas metade (50,1%) das mil pessoas entrevistadas pelo Instituto Sigma Dos consideraram que o balanço de seu reinado de 37 anos foi “muito bom” (6,6%) ou “bom” ( 43,5%) - em comparação aos 76,4% de um ano antes. A pesquisa foi publicada apenas dois dias antes do 75º aniversário do Rei, que foi precedido nesta sexta-feira por uma entrevista para a televisão pública espanhola.
“O apoio à monarquia caiu a um mínimo histórico de 54%”, afirma o jornal.
De acordo com a pesquisa, realizada por telefone entre 21 e 28 de dezembro, 57,8% dos jovens entre 18 e 29 não considera que este tipo de sistema seja o mais adequado para a Espanha. Don Juan Carlos, que subiu ao trono dois dias após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975, sempre teve grande popularidade entre os espanhóis graças ao seu papel fundamental na transição para a democracia. Mas a faixa de jovens entre 18 e 29 anos não viveu essa transição e “não conhece nem sente um grande interesse por ela”, de acordo com o “El Mundo”.
Durante vários meses, Juan Carlos vem intensificando seus esforços para combater os efeitos de vários escândalos que marcaram a Família Real em 2012. Primeiro, seu genro Iñaki Urdangarin, marido da infanta Cristina, foi acusado em um caso de corrupção nas Ilhas Baleares. Ele está sendo investigado por supostamente ter usado sua posição para benefício do Instituto Nóos, que dirigiu entre 2004 e 2006, e para um posterior enriquecimento ilícito. O processo aponta para quatro delitos: falsificação de documentos, prevaricação, fraude à administração pública e desvio de verba. Diante da pressão da mídia, o rei afastou o duque de Palma dos compromissos oficiais num dos momentos mais difíceis para a família real.
Pedido de desculpas
Depois, o rei espanhol precisou se desculpar publicamente, em um ato sem precedentes, após uma queda em que quebrou o quadril, em abril, em Botsuana, onde caçava elefantes em uma viagem caríssima, enquanto seu país atravessava uma grave crise econômica.
“Eu sinto muito, eu estava errado e não vai acontecer de novo”, foi a frase histórica pronunciada do hospital onde foi submetido a uma cirurgia em abril, para tratar o quadril fraturado na África.
Os dias no hospital foram amargos. Houve uma onda de indignação e críticas sem precedentes, e algumas vozes chegaram a pedir a sua abdicação, depois que uma Espanha sufocada pela crise e pelo desemprego descobriu que seu rei havia esbanjado em uma luxuosa caça de elefantes. Assim, apesar de sua saúde fragilizada pela idade e por várias operações nos últimos anos, incluindo a de um tumor pulmonar benigno em 2010, o rei tentou provar que ainda era digno de confiança da Espanha.
Em poucos meses, ele recorreu mais de 70 mil quilômetros em viagens para o Brasil, Chile, Rússia e Índia, para tentar recuperar o prestígio no exterior de um país em grave crise econômica, mas também para mostrar que continua à altura do que se espera dele.
Mas, apesar dos episódios de 2012, o apoio à monarquia já vinha caindo durante a última década, ainda que os que apoiam o regime sigam sendo mais numerosos do que os que o rejeitam. O que não acontece entre os menores de 35 anos, que não experimentaram a transição e não se lembram da tentativa de golpe de 1981. Entre eles, a rejeição e o apoio empatam. E isso preocupa a instituição.